Pirataria – uma discussão sem fim?

Publicado: novembro 4, 2010 em Uncategorized

Fazia algum tempo que eu tinha esboçado esse post, mas havia deixado ele de lado. Agora resolvi retomá-lo pois o assunto sempre vem a tona.

Na minha opinião a pirataria é um fator cultural. Crescemos vendo a pirataria acontecer dentro de casa. Quando criança, víamos nossos pais comprarem fitas cassete para gravarmos aquelas tão desejadas músicas que tocavam no rádio e, em programas específicos, o locutor avisava a hora exata que determinada música iria começar para podemos apertar o botão “rec” e enfim nos apropriávamos da tão desejada música.

E isso não era considerado um crime, pois se o locutor da rádio nos ajudava a apertar o botão no momento certo para conseguir a música desde o começo sem cortes, por que seria um crime?

E tínhamos também a facilidade dos vídeos cassete. Como era fácil gravarmos um filme em casa, gravávamos a novela para assistir depois e não correr o risco de perder um capítulo… em fim. A pirataria dentro de casa era a coisa mais comum que existia.

O tempo passou e nós, antes crianças, crescemos. E assim como nós, a pirataria também cresceu. Hoje estamos discutindo o direito dos autores, produtores, cantores… pois a pirataria saiu de casa e tomou proporções alarmantes. Nos terminais de ônibus, metrôs, banquinhas na beira da rua, em fim, é possível encontrar uma infinidade de filmes à disposição para compra, muitas vezes você consegue três, quatro, até cinco filmes por uma bagatela de R$ 10,00.

E muitas pessoas compram esses produtos, pois cresceram vendo a pirataria dentro de casa e hoje ela está ali, prontinha. E vai além: é possível encontrar os mais recentes lançamentos do cinema! Não com aqueles filmes antigos que passam na TV com o selo “inéditoooooo”, que ficávamos ansiosos por gravar em casa!

Então a indústria sentiu o peso da pirataria, não só a de música, mas a indústria dos filmes agora sofre e muito com isso. E a pouco tempo eles se consideravam imunes… mas a tecnologia avançou, muitos tem banda larga em casa, em fim… tudo muito mais fácil.

Infelizmente, a pirataria é um mercado que dá lucro e alimenta muita bandidagem ao mesmo tempo: tráfico de drogas, armas, munição ilegal, prostituição… uma coisa está ligada a outra.

E qual seria o caminho para acabar com a pirataria? Será que isso é possível?

Eu duvido muito. Acredito que possa ser diminuída, ou mantida sem crescimento, mas acabar com ela… não creio.

Na minha opinião o combate à pirataria só terá sucesso algum dia, a longo (beeem longo) prazo, após muita orientação e tentativa de conscientização de crianças em idade escolar, jovens e adultos. Acredito que o que deva ser feito é orientar as crianças nas escolas para que elas mudem a cultura de seus pais em casa (o que é muito difícil, mas não impossível).

Eu sou de uma geração que cresceu tendo pirataria em casa, porém minha cabeça hoje é outra. E eu passo para a minha filha essa ideia comprando para ela apenas CDs e DVDs originais. Óbvio que não compro no momento do lançamento, pois não há “cacife” para isso, mas aguardo o momento em que eles entram em promoção e, se puder, compro. E ela não é prejudicada por isso, muito pelo contrário, tem CDs de qualidade, originais respeitando todos os direitos de quem produziu e lutou pela existência daquela obra.

Também concordo que o valor de um lançamento, seja música ou filme, no Brasil é absurdo, porém esse não é o motivo pelo qual a pirataria tem tanto sucesso. Na minha opinião é mais pela concepção que existe nas pessoas que pensam: “eu tenho a facilidade de ser proprietário disso por um valor ínfimo”.

Os DVDs piratas deveriam servir para essas pessoas como uma “degustação”. Se eu gostar eu compro o original, pois outro fator decisivo para a compra do pirata é esse: e se eu não gostar? E se eu pagar caro e não valer a pena?

E aproveito e jogo uma ideia meio doida: luta-se pela legalização de tanta coisa nesse mundo, por quê ninguém luta pela legalização da pirataria? Transformem esses “caras” em EI (empresários individuais), deem dignidade a eles e legalizem esse trabalho de demonstrar ao consumidor, antes deste decidir adquirir ou não o original. Os próprios “pirateiros” poderiam inclusive vender os originais… aposto que ia mudar e muito esse cenário.

O mesmo se aplica a música e livros! Os livros que constam no Google books são um ótimo exemplo disso. Partes deles ficam disponíveis para acesso e, na leitura dessas partes, se você se interessar pelo conteúdo com certeza compra o livro.

Eu sou um exemplo disso. Em uma das pesquisas que eu fazia sobre direito autoral, vi um livro que tinha umas definições e um tipo de discurso que me agradou muito. Verifiquei o preço e comprei o livro.

Então além de educar as crianças nas escolas e procurar fazer com que elas reeduquem os seus pais é necessário a busca por alternativas e possibilidades ainda não exploradas. Como, por exemplo, proporcionar aos “pirateiros” subsídios para que possam servir de mediadores e incentivadores da compra de produtos originais.

E aí, qual sua opinião a respeito da pirataria?

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comentários
  1. Denis disse:

    Na verdade eu não tenho uma opinião formada sobre esse assunto. Eu não vejo como uma coisa maléfica a cópia de músicas para uso pessoal, como a gente fazia com as fitas cassete (que saudades!). Se vc ver, nos EUA a galera que compra ipod compra músicas no itunes e simplesmente não passa pela cabeça delas adquirir músicas sem ter que comprá-las através do itunes porque é assim que a coisa funciona. Já no Brasil deram um jeitinho… Na Colombia existe um mercado de livros piratas muito forte, iso mesmo, livros! Eu fico pensando, bom se fosse assim no Brasil, ao invés de piratearem DVDs de pagode a galera pirateasse livros… Desse jeito a gente vê que o problema é cultural, mas também tem o outro lado das grandes gravadoras que precisam inventar um novo jeito de comercializar esse produto. Na real rola muita, mas muita, sujeirada nesse meio e no fundo eu penso “bem feito” por elas estarem em apuros!

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