O plágio em TCCs

Publicado: maio 4, 2011 em Uncategorized

O plágio é, realmente, um assunto que me incomoda. Fico pensando: como é possível uma pessoa que precisa redigir um texto resolver, simplesmente, copiar um já existente e colocá-lo em seu documento como se aquilo, a partir daquele momento, fosse dele?

Isso não pode ser ingenuidade… Não hoje em dia, com tanta informação disponível para todos e com tanto conhecimento divulgado por vários meios distintos.

Então, fico me perguntando: como pode uma pessoa pagar para cursar uma pós-graduação e, na sua produção intelectual mais importante (que é o TCC – Trabalho de Conclusão de Curso), ela copiar literalmente um (ou vários pedaços de uns) texto já publicado por outra pessoa?

Fico realmente decepcionada, triste, quando recebo trabalhos de alunos para orientar que são pura cópia de artigos já publicados.

Ainda, quando é a primeira vez daquele aluno, tento relevar, explico direitinho e até indico sites de artigos para leitura, para facilitar a criatividade intelectual dele. Porém, mesmo assim, alguns alunos ignoram a orientação e enviam, numa segunda tentativa, novo plágio, diferente do primeiro! Ah, tenha dó!

Se dependesse de mim, um aluno que faz plágio seria reprovado de primeira, pois é possível identificar claramente a má fé do mero descuido.

Em fim, após algum tempo avaliando e orientando TCCs a gente “pega o jeito”. É possível identificar quem faz de má fé e quem teve algum lapso no meio ou realmente tem dificuldades.

Por exemplo, uma pessoa que copia texto dos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais, documento importante do MEC) e coloca em seu TCC, como se fosse redação sua, sem sequer mencionar a fonte, não é uma pessoa com boas intenções. Ela certamente sabe que é errado o que está fazendo e acredita que se a fonte não for mencionada, ninguém vai desconfiar e ela vai sair ilesa.

Outro exemplo: uma pessoa que copia trechos de um artigo (com autoria declarada) retirando as menções de citações existentes, colocando como se fosse tudo redação sua (sem mencionar a autoria e nem as citadas originalmente) não é uma pessoa desavisada, ela está fazendo maldade (para não dizer outra coisa).

E como isso é comum nos TCCs! Digo isso, não apenas pelas turmas do curso que eu oriento, mas também pelo relato dos colegas de profissão. Cursos de todas as áreas possuem alunos que querem se “sair” bem, copiando descaradamente a produção já existente.

Fico realmente preocupada com esta situação, pois esse aluno fez um curso de especialização, teve diversas disciplinas, leu textos recomendados pelos professores, assistiu aulas e, no momento da sua mais importante produção textual, ele simplesmente copia o que já existe e envia para seu orientador aguardando “sugestões de melhoria”… Fico pasma com isso.

Daí questiono: onde está o problema? Está na educação básica desse aluno? Está na formação familiar e o costume com a pirataria em casa (assunto que já comentei em outro post)? Ou está na disciplina de Metodologia científica desses cursos de pós-graduação? Ou está no caráter do aluno?

Se for nessa última questão, então estamos perdidos, pois há muita gente sem caráter hein…

Mas me tranquilizo com aqueles que sobram, aqueles que fazem com gosto e garra e realmente produzem conhecimento, realmente contribuem com sua área de formação, buscando por mérito, ser alguém melhor na vida.

Mas uma coisa é certa, essa questão de plágio em TCCs ainda vai longe, se as instituições de ensino não tomarem providências drásticas com esses alunos. Com certeza.

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comentários
  1. writerkos disse:

    O problema da produção acadêmica brasileira atual é que não há regras claras para evitar o plágio que se tornou fato recorrente nas entidades de ensino. Mesmo que você pegue um de seus alunos em pleno ato e o questione, não há mecanismos de punição claros para serem aplicados, de forma a evitar problemas futuros.

    E se o estudante é doutrinado que o plágio é prática normal e não há questionamento sendo feitos pela instituição que o acolhe, ele verá como completamente normal se ele praticar o mesmo ato em sua vida profissional.

    E aí que vira um “salve-se quem puder.”

  2. Bi disse:

    Adri, acho que o problema não é só a falta de caráter, o problema é a preguiça mesmo ou pura falta de vontade. Existem alunos que escolhem uma pós ou especialização por identificação com a área de estudo, por prazer…. outros escolhem simplesmente pra adicionar “conhecimento” (mais conhecido por status) ao curriculum. A questão não são nem as aulas de metodologia cientifica nas instituições de ensinos, a questão é que são muitas, o que na minha opinião, as torna cada vez menos capazes de formar profissionais pensantes e passam a formar meros concorrentes ao mercado de trabalho.

  3. Lei n. 9.610 neles!
    Mas antes disto, deixando a razão falar mais alto: toda instituição superior tem em seus arcabouços de regras e normas alguma coisa sobre a “cola” em provas e os plágios. Se não tem é uma instituição falha!!
    Convenhamos, pelo menos no manual do TCC isto deve figurar… Não tem manual? Ora não sou afeito a palavrões, mas fico tentado a usar de meu repertório.

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